Multimodalidade e cenografia em quatro edições da Antologia da Literatura Fantástica

Gustavo Primo

Resumo


A partir das perspectivas da análise do discurso literário proposta por Maingueneau (2006) e dos estudos das modalidades da mídia, discutidos por Elleström (2010), analisaremos quatro edições, publicadas em tempos e lugares diversos, da Antologia da Literatura Fantástica, originalmente organizada por Silvina Ocampo, Adolfo Bioy Casares e Jorge Luis Borges. Observa-se que a cada vez que a Antologia foi (re)publicada por diferentes casas editoriais, a obra ganhou uma materialização diferente, em diferentes objetos-livros, cada um com suas especificidades textuais, paratextuais, gráficas, materiais. Todos esses aspectos se nos revelam como vestígios de modos de funcionamento do discurso literário e é possível, portanto, interpretar cada livro como possuindo uma cenografia reveladora de imaginários editoriais acerca do que seja a literatura fantástica, como ela deva circular e qual seja seu valor simbólico. Discutiremos a cenografia articulada pela materialização de quatro edições diferentes da Antologia: a primeira, publicada pela Editorial Sudamericana (Argentina, 1940); uma edição da Xanadu Publications (Reino Unido, 1988); uma da Debolsillo (Argentina, 2016) e uma da Cosac Naify (Brasil, 2014). Cada uma delas nos revela como o texto literário não é puramente fruto de um autor único, mas de uma miríade de mediadores editoriais (editores, diagramadores, capistas, designers, prefaciadores etc.).

Palavras-chave


mediação editorial; multimodalidade; cenografia discursiva.

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Referências


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