As ditaduras civis-militares e os dilemas entre lembrar e esquecer: a representação dual entre Brasil e Argentina.

Pâmela de Almeida Resende, Marcos Oliveira Amorim Tolentino

Resumo


O objetivo deste artigo é problematizar uma noção comumente aceita de a Argentina seria o “país da memória”, enquanto o Brasil é o “país do esquecimento”, devido às políticas públicas desenvolvidas em cada país frente aos legados das recentes ditaduras civis-militares. Para além do senso comum que pontua uma oposição excludente entre memória e esquecimento, há uma tentativa de separação de duas maneiras de agir na política: aquela que propõe “virar a página” em nome da chamada reconciliação nacional; e aquela que não pode esquecer sem conhecer, esclarecer e promover o nunca mais. Para tanto, abordaremos as medidas reparatórias adotadas pelos respectivos Estados nos últimos anos nos dois países, de maneira a demonstrar que memória e esquecimento, mais do que uma simples dualidade, conformam os relatos sobre as ditaduras produzidas nos dois países, assim como a relação que hoje tanto Estado quanto a sociedade civil estabelecem com o passado ditatorial.


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